VIKTOR E. FRANKL (1905 – 1997)

Viktor  Emil  Frankl  foi  um  médico  psiquiatra  austríaco, fundador  da  escola  da  Logoterapia,  que  explora o sentido existencial do indivíduo  e a dimensão espiritual da existência. Estudioso de Psicanálise desde os 10 anos de idade, Frankl manteve desde a adolescência uma correspondência intensa  com Freud e teve uma  fase  de  profundo  entusiasmo  pelas  teorias  de  Alfred  Adler, de  quem no  entanto  logo se  afastaria; com menos de 20 anos já tem vários artigos publicados em importantes revistas  de Psicologia de  seu  país  natal e é por essa época que  ele cunha pela primeira vez  o termo Logoterapia.

 

 

Resultado de imagem para viktor e. franklCom a invasão da Áustria em 1938  pelos  nazistas e a subsequente eclosão da II Guerra Mundial, Frankl, sua mãe e sua primeira esposa são aprisionados em 1942 e  enviados para o gueto tcheco de Therensienstadt e, em 1944 para Auschwitz, onde sua mãe é executada nas câmaras de gás e sua esposa morre de exaustão. É nesse tenebroso  campo de concentração que Viktor E. Frankl, após atravessar terríveis condições de subsistência, encontra as bases que formariam sua tese central sobre o sentido da vida e a psicologia humana. Após a libertação, Frankl dedica-se a escrever seu livro mais famoso, “Em Busca do Sentido da Vida”, baseado nas suas experiências sob a barbárie nazista e  as  implicações  psicológicas  de  tais  vivências   em  situações-limite.

Nos 25 anos subsequentes à guerra, Frankl será o diretor da policlínica de neurologia de Viena.
Em 1948, obtém seu doutorado em filosofia com o tema: “O Deus inconsciente”. Em 1955, torna-se professor de neurologia da Universidade de Viena.

Em 1970, em San Diego, Califórnia (em cuja universidade federal passara a lecionar), é fundado o primeiro instituto de logoterapia do mundo.

Resultado de imagem para viktor e. franklFoi nos Estados Unidos – país em que também lecionou como professor visitante nas Universidades de Harvard, Dallas e Pittsburgh – que a figura de Frankl atingiu notoriedade mundial, a despeito de suas teses contrariarem as correntes psicanalíticas tradicionais e dominantes.
Ao longo de sua vida, os livros de Viktor Frankl serão traduzidos em mais de 30 idiomas.
Frankl recebeu o título de doutor honoris causa de diversas instituições de ensino do mundo inteiro, inclusive da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Brasil.
Como conferencista, Frankl visitou muitos países ao longo de sua vida, tendo passado pelo Brasil em 1984 (Porto Alegre), 1986 (Rio de Janeiro) e 1987 (Brasília).

Atualmente, institutos, centros de estudos e associações de logoterapia podem ser encontrados em mais de 30 países.

 

PANORAMA   DE   SUA  OBRA

A obra de Frankl é relativamente pouco conhecida nos países de língua portuguesa e é comumente ignorada pelas principais correntes da psicanálise (como  Sigmund Freud, Alfred Adler e Jacques Lacan).

De uma forma prática e simples assim diferenciava a Psicanálise da LogoterapiaNa psicanálise, o paciente tem de deitar-se num divã e contar coisas que, às vezes, são muito desagradáveis de serem contadas. Pois na logoterapia o paciente pode ficar sentado normalmente, mas tem de ouvir coisas que, às vezes, são muito desagradáveis de serem ouvidas.

O fundador da Logoterapia  adotou um certo distanciamento de Freud no que se refere à etiologia sexual das neuroses e também no que se refere à religião. Frankl considera que a neurose individual poderia ser, em alguns casos, a expressão da recusa da espiritualidade.

Segundo Frankl, existiria no ser humano um desejo e uma vontade de “sentido”. Ele percebeu que seus pacientes não sofriam exclusivamente de frustrações sexuais (Freud) ou de complexos como o de inferioridade (Adler), mas também do que reputa ser vazio existencial.

Para o analista, a neurose revelaria antes de mais nada um ser frustrado de sentido, o que o levou a concluir que a exigência fundamental do homem não é nem a emancipação sexual, nem a valorização do “self”, mas a “plenitude de sentido“. Segundo Frankl, a compensação sexual não seria nada além de um Ersatz ( substituto ) para com a falta de sentido existencial. Por isso, conclui, o terapeuta não pode negligenciar a espiritualidade do analisado e a logoterapia passa a estar centrada no inconsciente espiritual, mais do que nas pulsões.

Em “O Deus inconsciente“, Frankl repudia a psicanálise tradicional, declarando que “Degradando o ‘eu’ em simples epifenômeno, Freud, por assim dizer, traiu o ‘eu’ em favor do ‘isso’; mas ao mesmo tempo ele, por assim dizer, insultou o inconsciente, vendo nele nada além do que é do ‘isso’ – o instintivo – deixando escapar aquilo que é do ‘eu’ – o espiritual”.

Para o autor, haveria um hiato ontológico entre o instinto e o espírito. Ele considera o homem uma totalidade trinária e tridimensional, com expressão psicológica, biológica e espiritual. Segundo Frankl, Freud teria negligenciado a terceira dimensão.

No seu livro A Busca do Homem por Sentido, Frankl relata suas experiências como interno de campo de concentração, descrevendo seu método psicoterapêutico para encontrar sentido em todas as formas de existência (mesmo as mais sórdidas) e, daí, uma razão para continuar vivendo. Em suas próprias palavras “O homem, por força de sua dimensão espiritual, pode encontrar sentido em cada situação da vida e dar-lhe uma resposta adequada.”

Em Viena, em 1983, no Prefácio que faz da sua obra Em Busca de Sentido, à edição de 1984, Frankl, afirma: …o Pós-escrito de 1984 a este livro é intitulado “A Tese do Otimismo Trágico”. O capítulo se refere a preocupações dos dias de hoje e a como é possível dizer sim à vida apesar de todos os aspectos trágicos da existência humana. Espera-se que um certo “otimismo” com relação ao nosso futuro possa fluir das lições retiradas do nosso “trágico” passado..

Sua filosofia é fundamentalmente otimista e baseada na crença – fruto de sua experiência pessoal – de que o fim último da existência humana tem uma meta fora do próprio indivíduo, fim este que lhe dá o sentido da própria existência.

 

 

Outras citações úteis para a compreensão de seu pensamento podem ser invocadas, como no Prefácio que faz da Edição de 1984 à sua obra Em Busca de SentidoNão procurem o sucesso. Quanto mais o procurarem e o transformarem num alvo, mais vocês vão errar. Porque o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer, e só tem lugar como efeito colateral de uma dedicação pessoal a uma causa maior que a pessoa, ou como subproduto da rendição pessoal a outro ser.

E ainda, no mesmo prefácio da edição de 1984 de Em Busca de SentidoQuero que vocês escutem o que sua consciência diz que devem fazer e coloquem-no em prática da melhor maneira possível. E então verão que a longo prazo – estou dizendo a longo prazo! – o sucesso vai persegui-los, precisamente porque esqueceram dele.

Finalmente: Nós que vivemos nos campos de concentração podemos lembrar de homens que andavam pelos alojamentos confortando a outros, dando o seu último pedaço de pão. Eles devem ter sido poucos em número, mas ofereceram prova suficiente que tudo pode ser tirado do homem, menos uma coisa: a última das liberdades humanas – escolher sua atitude em qualquer circunstância, escolher o próprio caminho.

 

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FONTE: Wikipédia  Viktor Frankl

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  1. […] disposição por esses benfeitores. Leia Thomas Mann, Osho, Goethe, Schopenhauer, Krishnamurti, Viktor Frankl, Hesse,  Gibran, Pessoa, Dostoievski, Freud, Jung, Buda, etc… e, se tiver possibilidade, […]

  2. […] e Análise Existencial é um sistema teórico – prático criado pelo psiquiatra vienense Viktor Emil Frankl, que se tornou mundialmente conhecido a partir de seu livro “Em Busca de Sentido” (Um […]

  3. […] de um romance de sua juventude para tentar buscar  inspiração para escrever  e, como afirma  Viktor E. Frankl,  tentar dar sentido  a   uma  existência  em  que  tem  mais   do  que  o […]

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