Walt Whitman: “O captain, my captain”

WALT    WHITMAN  (1819 – 1892)   foi   um  poeta, ensaísta e jornalista  norte-americano, considerado por muitos  como  o pai do verso livre.

 

 

A obra poética de Whitman centra-se na coletânea “Leaves of Grass“, dado que ao longo da sua vida o escritor se dedicou a rever e completar aquele livro, que teve oito edições durante a vida do poeta.

“Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado,

E disse à minha alma: Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?
E minha alma disse: Não, uma vez alcançados esses mundos prosseguiremos no caminho.”

(Walt Whitman)

“Para que haja grandes poetas é preciso que haja também um grande público.”

(Walt Whitman)

 

 

Resultado de imagem para leaves of grassNos seus poemas, Walt Whitman elevou a condição do homem moderno, celebrando a natureza humana e a vida em geral em termos pouco convencionais. Na sua obra “Leaves of Grass”, Whitman exprime em poemas visionários um certo panteísmo e um ideal de unidade cósmica que o Eu representa. Profundamente identificado com os ideais democráticos da nação americana, Whitman não deixou de celebrar o futuro da América.

 

Sei que sou sólido e são,
para mim num permanente fluir
convergem os objetos do universo;
todos estão escritos para mim
e eu tenho de saber o que significa
o que está escrito.”

(Walt Whitman)

 

Whitman foi uma das maiores referências  de vários poetas   como o  nosso  Paulo Leminski, e o   poeta  português  Fernando  Pessoa  que, em homenagem  ao  colega   escreveu  um de  seus  poemas  mais  célebres: “Saudação a Walt Whitman”. Apesar da relativa  notoriedade  que sua  obra teve em vida, o poeta terminou os últimos anos de sua vida em estado  de relativa penúria, sobrevivendo graças à  ajuda de alguns amigos e admiradores americanos e europeus.

 

Eu me contradigo? Pois muito bem, eu me contradigo. Sou amplo, contenho multidões.”

(Walt Whitman)

 

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Reproduzo  abaixo   uma  de  suas  poesias  mais  famosas  e   sua  tradução   livre

 

O  Captain!  my  captain!

 

O Captain! my Captain! our fearful trip is done;
The ship has weathered every rack, the prize we sought is won;
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:

But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;
For you bouquets and ribboned wreaths—for you the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;

Here Captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,

You’ve fallen cold and dead.

My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchored safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;

Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,

Fallen cold and dead.

 

Oh capitão! Meu capitão! nossa viagem
medonha terminou;
O barco venceu todas as tormentas,
o prêmio que perseguimos foi ganho;
O porto está próximo, ouço
os sinos, o povo todo exulta,
Enquanto seguem com o olhar a quilha firme,
o barco raivoso e audaz:

Mas oh coração! coração! coração!
Oh gotas sangrentas de vermelho,
No tombadilho onde jaz meu capitão,
Caído, frio, morto.

Oh capitão! Meu capitão! erga-se
e ouça os sinos;
Levante-se – por você a bandeira dança – por
você tocam os clarins;
Por você buquês e fitas em grinaldas –
por você a multidão na praia;
Por você eles clamam, a reverente multidão
de faces ansiosas:

Aqui capitão! pai querido!
Este braço sob sua cabeça;
É algum sonho que no tombadilho
Você esteja caído, frio e morto.

Meu capitão não responde, seus lábios
estão pálidos e silenciosos
Meu pai não sente meu braço, ele não
tem pulsação ou vontade;
O barco está ancorado com segurança
e inteiro, sua viagem finda, acabada;
De uma horrível travessia o vitorioso barco
retorna com o almejado prêmio:

Exulta, oh praia, e toquem, oh sinos!
Mas eu com passos desolados,
Ando pelo tombadilho onde jaz meu capitão,
caído, frio, morto.

 

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