YO LA TENGO no Cine Joia

 

 

 

Se existe banda de rock alternativo (indie) do primeiríssimo escalão que tem mantido uma dignidade invejável ao longo de seus 30 anos de carreira, é exatamente esse trio de Hoboken (New Jersey), composta pelo casal Ira Kaplan (vocais, guitarras e piano) e Georgia Hubley (piano, vocais, bateria) e pelo baixista – e vocalista de ocasião – James NcNew.

Sem abrir mão de seu estilo que alterna o “ shoegaze” , a músicas que em certos  momentos quase poderiam ser enquadradas no gênero pop e até no “folk”, ao experimentalismo puro, o Yo la Tengo permanece “indie” até à medula, longe dos holofotes mais rentáveis do “ mainstream” musical e sem fazer qualquer tipo de concessões ao comercial e não se permitindo tocar senão aquilo que realmente gostam.

E essa característica foi talvez a mais marcante no retorno desse excelente grupo ao Brasil; após uma malsucedida e equivocada passagem pelo SWU festival de Itu, há alguns anos atrás, eles retornaram com apresentações no Circo Voador do Rio de Janeiro e nesta terça-feira ao palco adequado e consagrador de um apinhado Cine Joia, no bairro da Liberdade em Sampa.

Com um “show” que privilegiou o repertório de “Fade”, o excelente disco por eles lançado em 2013, a alguns sucessos mais marcantes de alguns dos 12 outros trabalhos, eles decididamente acertaram a mão ao longo de uma apresentação com mais de 02 horas de duração, iniciada pela deliciosa “Stupid Things” e logo depois emendada por “Autumn Sweater” – uma de minhas indiscutíveis favoritas – e pela pitoresca “Mr. Tough” ; uma das características mais diferenciadas do grupo é a alternância permanente de seus integrantes nos instrumentos musicais utilizados e também nos vocais e a inexistência de um “frontman”  definido; embora Kaplan seja o principal compositor, ele cede em vários momentos os vocais – quase sempre um sussurro soporífero em contraponto ao “noise” distorcido e aos malabarismos técnicos da guitarra –  e até a frente do palco à companheira, que conduziu o “ miolo” central mais “relax”  do show, e até, em alguns momentos, a McNew. Ainda com com Georgia nos vocais, Ira retomou o centro das atenções para executar uma versão longuíssima e pra lá de viajante de “Before we run’, sem dúvida um dos pontos de maior destaque dessa  apresentação deles.

Para o set final foram reservados os momentos mais energéticos, com “Ohm” que termina com Ira Kaplan literalmente sendo carregado pela turma do gargarejo e com a experimental “The story of Yo La Tengo”. Para o bis o grupo reservou os aguardados e sempre imprevisíveis e mutáveis “covers”, outra das características do grupo; desta vez eles executaram “Gimme all your lovin’”  do ZZ Top  e  finalizaram  com uma versão lentíssima de “ I found a reason”  do Velvet Underground. Uma apresentação para quem realmente curte rock na veia da melhor procedência.

Veja abaixo  o  Yo La Tengo ao vivo no  Cine joia  em “Before we run” :

 

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